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Dafydd Jones – Screen Time e a adicção aos smartphones

Dafydd Jones – Screen Time e a adicção aos smartphones

A crítica e avaliação social é obviamente válida seja em que altura for, mas verdade seja dita, nos dias que correm, a muita gente pouco mais sobra para lá do “tempo de ecrã”. Não vou obviamente entrar pelo caminho moralista que indicaria qualquer outra actividade culturalmente rica (ou enriquecedora) como formato preferencial para a abordagem aos forçados períodos de isolamento. Isso, como qualquer outra crítica social e política, sinto que devo deixar para outro tempo, lugar e oportunidade.

Simultaneamente, em tempos de clausura, não fossem os smartphones ou a Internet através dos seus muitos protocolos, não veríamos a proximidade virtual ser capaz de atenuar a distância física. Seriam estes dias certamente bem mais dolorosos e estranhos se não pudéssemos partilhar e exorcizar tantos dos nossos receios neste exercício de catarse colectiva, cuja ferramenta de execução vamos entregando às redes sociais.

Como quase tudo o que cruza os nossos caminhos, dos rojões à minhota até à mais pura das simpatias, é o exagero que nos atropela. É o abuso que nos torna vulneráveis.

"Screen Time" © Dafydd Jones

Quase toda a gente tem um smartphone e a maioria de nós tem mesmo o hábito vincado de olhar para ecrã do nosso dispositivo, mais vezes do que aquelas que são efectivamente necessárias. Isso é algo que o fotógrafo Dafydd Jones vincou na sua série, em constante crescimento, a que chamou “Screen Time“.

Jones pretende mostrar o quão adictivo é o uso de dispositivos móveis e o quão dependentes deles estamos em quase todas as situações sociais, mesmo aquelas que visam promover o contacto pessoal. Da mesma maneira que o “video killed the radio star“, o smartphone acabou com a tradicional… conversa.

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"Screen Time" © Dafydd Jones

Corria 2008, quando a Vanity Fair Itália enviou o veterano fotógrafo social Dafydd Jones para Miami, no sentido de cobrir a glamorosa festa da Vogue Italia na Art Basel. A meio da noite, Jones notou num homem solteiro a olhar para o telefone, aparentemente alheio às pessoas – “forçosamente” bonitas – que estavam ao seu redor.

Os smartphones ainda estavam na sua infância – o iPhone tinha estreado no ano anterior – e durante os anos seguintes, Jones começou a notar nesse mesmo fenómeno em eventos um pouco por todo o mundo. Embora as fotos raramente chegassem às revistas para as quais Jones fotografava, este continuou a registar essas socialites obcecadas pelos seus smartphones.

"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
"Screen Time" © Dafydd Jones
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