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Diane Arbus – Um retrato dos mais raros

Diane Arbus – Um retrato dos mais raros

© The Estate of Diane Arbus

Daqui a 3 dias celebraremos o aniversário do nascimento de Diane Arbus, gigantesca referência na fotografia que dedicou a sua curta carreira à imortalização das franjas da sociedade. O trabalho de Arbus pode facilmente ser definido como o registo das “pessoas comuns mais incomuns”. Olhou e viu os mentalmente transtornados, os fisicamente “diferentes”, os das profissões singulares, os isolados, enfim, aqueles que por ignorância ou por intenção, empurramos para a margem da sociedade. Arbus tornava os mais raros da sociedade em pessoas ditas “normais”, tão facilmente como sabia encontrar a singularidade do mais vulgar indivíduo.

Creio mesmo que Arbus conseguiu, “apenas”, capturar a pequena zona de existência em que a aparência e a realidade possuem uma relação desprovida do julgamento social. Diane Arbus encontrava facilmente a humanidade dentro do invólucro, a essência embrulhada no acessório.

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Diane, à altura Nemerov, nasceu no seio de uma abastada família judia de Nova Iorque. O pai, David Nemerov, dono de uma grande loja retalhista de Manhattan, pode mesmo considerar-se um dos fortes impulsionadores da carreira da filha, já que as imagens usadas nos anúncios da sua loja foram encomendados à fotógrafa numa fase prematura da carreira. Diane tornou-se Diane Arbus pouco depois de fazer 18 anos, em 1941, após adoptar o nome do marido Allan F. Arbus, fotógrafo treinado pelo exército nor-te americano e que viria também a ter uma carreia no cinema, com especial destaque para a personagem do Major Sidney Freedman, o psiquiatra na famosíssima série de televisão M*A*S*H.

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Diane e Allan acabariam, por força das circunstâncias e das oportunidades, por se tornarem fotógrafos comerciais e publicaram mesmo nas mais conhecidas revistas de moda, embora ambos afirmassem odiar a indústria da moda. O mundo de Arbus não era claramente aquele e numa altura que coincidiu com a separação de Allan Arbus (1958/1959), Diane iniciou uma fase de relacionamento criativo com Richard Avedon e Alexey Brodovitch, director de arte da Harper’s Bazaar entre 1934 a 1958.

Arbus mergulhou então numa carreira de fotojornalista por volta de 1960 e trabalhou para várias publicações de referência, incluindo o trabalho que produziu para dezoito artigos publicados na Esquire. Recebeu uma bolsa de estudos em 1963 para uma série fotográfica baseada em cerimónias e rituais americanos e recebeu uma renovação dessa mesma bolsa em 1966. Continuou a desenvolver trabalho inovador ao longo da década de 1960, que incluía documentações da vida urbana e retratos singulares de anões, travestis e outros ditos “forasteiros” da sociedade auto-rotulada como “normal”. Diane Arbus ensinou fotografia na Parsons School of Design, na The Cooper Union e na Rhode Island School of Design.

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Por volta de 1969, ano da formalização do divórcio e 10 anos após a separação, Arbus começou a sentir sintomas de depressão, quadro muito possivelmente relacionado com a hepatite C, diagnosticada em 1966. A 26 de julho de 1971, Arbus, numa altura em que morava na Comunidade de Artistas Westbeth em Nova Iorque, ingeriu barbitúricos e cortou os pulsos com uma lâmina, cometendo então suicídio aos 48 anos. Arbus sempre achou que o seu trabalho não representava nada de revolucionário ou de importante. Pelo contrário, sempre foi muito sincera ao admitir o egoísmo de seu estilo fotográfico; fez o que fez porque isso a interessava a ela própria e ninguém mais o fazia.

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Foi postumamente homenageada na Bienal de Veneza, sendo a primeira fotógrafa americana a ser incluída na prestigiada exposição internacional, poucos meses após sua morte. A 14 de março celebraremos 97 anos do seu nascimento. Aqui no EFE, celebramos sempre os nascimentos.

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