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Sally Mann… em destaque

Sally Mann… em destaque

Nascida Sally Munger, a mulher hoje aclamada e reconhecida por Sally Mann, foi exposta à fotografia (pun intended) pelo seu pai, Robert S. Munger, médico em Lexinton, Virgínia (EUA), cuja 5×7 se considera ser a nascente do uso que Sally Mann faz das câmeras de grande formato.

Sally Mann

Mann estreou-se a fotografar quando tinha dezasseis anos e iniciou os seus estudos formais de Fotografia na The Putney School de Vermont por volta dos 18 anos. Posteriormente estudou mais dois anos no Bennington College sob a orientação de Norman Sieff, fotógrafo sul-africano a viver nos EUA desde 1969. Foi exatamente na Bennington que Sally conheceu, Larry Mann, com quem ainda é hoje casada e que, por força do(s) costume(s), empresta o nome àquela que é considerada por tantos, uma das maiores referências vivas na Fotografia.

Sally Mann acabou por desenvolver um mestrado na Hollins College, na Virgínia, antes de iniciar funções como fotógrafa de arquitetura na Washington and Lee University, ali por meio da década de 1970. Sally Mann tornou-se alvo da atenção do público amante da fotografia por volta de 1992, com uma brilhante série de retratos íntimos dos seus filhos – Immediate Family (1992, Aperture) – e desde então nunca mais deixou de estar na montra dos maiores fotógrafos da atualidade. Essa série produzida com os seus filhos (à altura um menino, uma menina e um bebé), retrata momentos verdadeiramente íntimos, em situações de enfermidade e nas mais diversas maleitas ou pura e simplesmente despidos de qualquer roupa ou preconceito. São imagens belas e emocionantes, situações vulgares para todos nós, como protagonistas ou como cuidadores, mas a que Mann emprestou um toque singular, como aliás, empresta a tudo o que cria. Aliás, a Mann facilmente podemos atribuir uma capacidade de se inspirar no comum, na rotina, no quotidiano, mas sem esquecer que essa capacidade se faz inevitavelmente acompanhar do amor que tem àquilo que regista. Mann usa a fotografia como forma de lidar com o seu dia-a-dia.

© Sally Mann, "Winter Squash", 1988
© Sally Mann, "White Skates", 1990

Contudo, a nudez das crianças causou polémica um pouco por todo o lado. Desde a censura promovida pelo The Wall Street Journal até à recusa de publicação da Artforum, publicação mensal de arte contemporânea e, reconhecidamente, uma das mais radicais publicações do espaço artístico nova-iorquino, Mann foi sujeita a uma enorme carga crítica que infelizmente não deixou sequer na gaveta, temas como a pornografia ou pedofilia. Mann viveu bem com as polémicas.

Artigo de Raymond Sokolov, "Critique: Censoring Virginia", em The Wall Street Journal, 6 de fevereiro de 1991, p. A10.
© Sally Mann, "Damaged Child", 1984
© Sally Mann, "Tobacco Spit", 1987
© Sally Mann, "The Ditch", 1987
© Sally Mann, "He is very sick", 1986
© Sally Mann, "The Hot Dog", 1989
© Sally Mann, "Dirty Jessie", 1985
© Sally Mann, "Virginia Asleep", 1988
© Sally Mann, "The Two Virginias", 1991
© Sally Mann, "Squirrel Season", 1987
© Sally Mann, "The New Mothers", 1989
© Sally Mann, "Holding the Weasel", 1989
© Sally Mann, "Emmet's Bloody Nose", 1985

Nos anos 90 desenvolveu um interesse especial por paisagens, mas sempre numa prática de caminho soberano e próprio que, desde sempre, se ilustra como independente e altamente personalizado. A Galeria Edwyyn Houk, em Nova York, apresentou essas fotografias nos livros Motherland: Recent Landscapes of Georgia and Virginia (1997, Edywnn Houk Gallery). Muitas destas imagens foram produzidas com recurso a colódio húmido.

Em 2003, Sally Mann publicou What Remains (Bullfinch Press) – o livro, composto por 132 imagens, retrata diferentes tópicos relacionados com a morte e inclui fotografias de corpos em decomposição que Mann fotografou, por exemplo, na Universidade do Tennessee. Mann inaugurou a sua exposição e promoção do livro no Corcoran College of Art and Design, corria o ano de 2004. A exposição foi dividida em cinco secções que “retratam visualmente o ciclo eterno da vida, morte e regeneração“. O livro foi mais uma vez uma resposta de Mann às ocorrências da sua própria intimidade. A morte do seu pai; o assassinato de um fugitivo da prisão nos terrenos da sua propriedade em Lexington, Virginia; a morte de seu galgo de estimação, Eva. Uma série de fotos que documentam a decomposição de Eva está inclusivamente presente no livro. Apesar das reações negativas de alguns críticos, Mann expressou alguma surpresa pelo facto do livro não ter gerado a controvérsia de seus livros anteriores. Como afirmei anteriormente, Mann tem uma relação muito descomplexada com a polémica.

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Em 2005 editou mais um livro com 65 fotos a preto e branco – Deep South (Bullfinch Press, 2005). Em 2009 publicou Proud Flesh, que é uma documentação dos efeitos da distrofia muscular em Larry Mann, o seu marido. Nesse mesmo ano o livro foi exibido na Galeria Gagosian. Em 2010, The Flesh and The Spirit foi publicado e nele se incluíam inéditos de Sally Mann nas cerca de 200 páginas que o compunham. O tema centrava-se, ainda mais uma vez, nas doenças e na morte.

As obras de Mann são exibidas em coleções permanentes da Corcoran Gallery of Art, Whitney Museum, Metropolitan Museum of Art, Museum of Fine Arts (Boston), Hishhorn Museum no Sculpture Garden e muitos outros.

Mann foi eleita a melhor fotógrafa dos EUA pela revista Time em 2001 e é hoje que a destacamos – humildemente – no EFE.

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