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Thomaz Farkas – pioneiro da fotografia moderna no Brasil

Thomaz Farkas – pioneiro da fotografia moderna no Brasil

São Paulo (déc. de 1950) © Thomaz Farkas / IMS

Thomaz Jorge Farkas nasceu em Budapeste, Hungria, em 1924, mas aos 6 anos já vivia no Brasil com o seu pai Desidério Farkas. Farkas, o filho e alvo deste destaque no EFE, foi fotógrafo, professor, produtor e realizador. O seu pai foi sócio-fundador da Fotoptica (ver abaixo), empresa que Thomaz Farkas também viria a dirigir.

Em 1942, já com 18 anos, associou-se ao Foto Cine Clube Bandeirante, fundado 3 anos antes, e que era à altura um forte núcleo de debate e análise da actividade fotográfica e onde o ênfase dos debates era colocado no fazer da fotografia uma obra de arte, com base na exploração criativa de meios puramente fotográficos e não por meio do Pictorialismo.

Sombra do fotógrafo José Medeiros (1946) © Thomaz Farkas / IMS
Retrato de menina, Campos de Jordão (1943) © Thomaz Farkas / IMS
O mirante do Trianon antes do Masp, São Paulo (déc. de 1940) © Thomaz Farkas / IMS

Farkas é hoje descrito como um dos pioneiros da fotografia moderna no Brasil. As suas imagens, em especial as criadas nas décadas de 1940 e 1950, são identificadas com as desenvolvidas pelas vanguardas europeias e norte-americanas das primeiras décadas do século XX: os pontos de vista inusitados, os planos fechados, séries, repetições e composições geométricas, entre outras características.

Perseguindo os ideais de movimentos como o Straight Photography, popularizado por Stieglitz ou Strand, as fotografias de Farkas neste período, resultam em abstracções geométricas que prenunciam o construtivismo que vigoraria na década seguinte.

Barragem de usina (1945) © Thomaz Farkas / IMS
Marquise do Cassino da Pampulha, Belo Horizonte (1949) © Thomaz Farkas / IMS
Luminária do Cine Ipiranga, Belo Horizonte (1945) © Thomaz Farkas / IMS

Farkas registou frequentemente o quotidiano de grandes centros urbanos como o da cidade de São Paulo, onde morou, mas também do Rio de Janeiro, que visitou com relativa frequência. Farkas registou os ambientes públicos sem nunca descuidar o ritmo e a composição. Na década de 1940, o trabalho de Farkas teve como foco primordial a acelerada transformação da paisagem urbana de São Paulo, um verdadeiro caldeirão de mutações que o fotógrafo registou empenhadamente.

Fachada lateral do edifício do Min. da Educação e Saúde em São Paulo, (1947) © Thomaz Farkas / IMS
Escadaria da Galeria Prestes Maia (1945) © Thomaz Farkas / IMS
Edifício antigo, Rio de Janeiro (1947) © Thomaz Farkas / IMS

Fotografou também a construção de Brasília – iniciada em 1956 – onde o fotógrafo conjuga o aspecto documental-social com o formalismo. Fotografou a obra, o ferro, as formas, mas integrava a figura do operário. Registou as precárias condições de vida dos trabalhadores e das suas famílias que construíram o “sonho” naquele planalto central que, segundo Juscelino Kubitschek, se transformaria “no cérebro das altas decisões nacionais” e que se assumiu como o expoente máximo da modernização do Brasil.

Construção de Brasília © Thomaz Farkas / IMS
Construção de Brasília © Thomaz Farkas / IMS

Nessa mesma época, Farkas fotografou inúmeras cenas de desporto e companhias de dança brasileiras e internacionais. É claro e notório o interesse pelas formas à contre-jour e pelo movimento que oscila entre o uso de baixas e elevadas velocidades de obturação. Teve particular interesse pelos bastidores, pelas vidas, mais ou menos vulgares, dos artistas.

Farkas nunca se assumiu como fotojornalista, mas a sua obra demonstra inequivocamente que, raras vezes, colocou a função documental da fotografia num plano secundário.

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@Todd Antony - Cholitas Escaladoras (Bolívia)
Salto ornamental para piscina, (1945) © Thomaz Farkas / IMS
Ensaio do balé russo no Teatro Municipal de São Paulo, São Paulo, (1946) © Thomaz Farkas / IMS
© Thomaz Farkas / IMS
Bailarina © Thomaz Farkas / IMS
Estádio do Pacaembu © Thomaz Farkas / IMS

Entre 1964 e 1972, desempenhou funções de produtor, patrocinador e algumas vezes, de realizador e director de fotografia, em documentários sobre a cultura popular no interior do Brasil num projecto conhecido como Caravana Farkas, que reuniu cineastas como Eduardo Escorel (1945), Maurice Capovilla (1936), Paulo Gil Soares (1935-2000), Geraldo Sarno (1938) ou o fotógrafo Affonso Beato (1941). As produções da Caravana Farkas, provavelmente assunto para outro destaque, tinham uma forte intenção didática, pois eram criadas para serem exibidas em escolas. Eram muitas vezes realizadas com recursos próprios e consideravelmente limitados.

Em 1969, iniciou funções lectivas (fotografia) nos Departamentos de Cinema e Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), onde desenvolveu a sua tese de doutoramento sobre os métodos de realização de seus documentários (disponível para download / 52.2MB / PDF). Lançou a revista Fotoptica em 1970, com ensaios de fotógrafos brasileiros e internacionais. Aconselhamos mesmo uma leitura deste excelente artigo acerca da marca criada pelo seu pai ainda na década de 1930.

Experiência surrealista com colegas da Poli, Rio de Janeiro (1945) © Thomaz Farkas / IMS

O acervo de Thomaz Farkas é composto por mais de 34000 imagens e encontra-se hoje depositado no Instituto Moreira Salles, através de um protocolo para a guarda e preservação da obra do fotógrafo, estabelecido em 2007.

Thomaz Farkas morreu em São Paulo a 26 de março de 2011, com 86 anos. A sua obra perdura.

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