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Voula Papaioannou – O retrato grego da guerra e da esperança

Voula Papaioannou – O retrato grego da guerra e da esperança

Voula Papaioannou - O retrato grego da guerra e da esperança
"Família sem pai", circa 1945 © Voula Papaioannou

Voula Papaioannou (n.1898-m.1990) nasceu em Lamia, mas cresceu já no ambiente da capital, Atenas, onde frequentou cursos de pintura na Universidade Técnica Nacional de Atenas (NTUA). O “passatempo” da fotografia teve início já numa idade avançada, mas absorveu Papaioannou por absoluto e acabou por dar início à sua carreira começando a fotografar as exposições em nome do Museu Arqueológico Nacional, concentrando-se por isso em estudos de paisagens, monumentos e exposições arqueológicas.

"Lago Loannina", ca. 1945 © Voula Papaioannou
"Uma avó com os seus netos", Grécia, Peloponeso (ca. 1950) © Voula Papaioannou
"Tincheira", Atenas, 1940 © Voula Papaioannou
Edifícios destruídos em Atenas (dezembro de 1944) © Voula Papaioannou
Edifícios destruídos em Atenas (dezembro de 1944) © Voula Papaioannou

A declaração de início da Segunda Grande Guerra, já em finais de 1939, marcou um ponto de viragem na carreira de Voula Papaioannou, já que a fotógrafa, à semelhança de tantos milhares de pessoas na Grécia, foi intensamente afectada pelo sofrimento da população civil de Atenas.

Como a maturidade de quatro décadas de vida, Papaioannou percebeu rapidamente o grau de poder da sua câmera no despertar da consciência colectiva. Documentou a partida das tropas, o esforço de guerra e os cuidados recebidos pelas primeiras baixas. Quando a capital grega esteve refém das afiadas garras da fome, Voula Papaioannou revelou os horrores da guerra com cada uma das suas imagens.

Edifícios destruídos em Atenas (dezembro de 1944) © Voula Papaioannou
Celebrações da libertação de Atenas (12 de outubro de 1944) © Voula Papaioannou
Homens hospitalizados no preventório de Voula (Atenas), ca. 1945 © Voula Papaioannou
"Velhas a carregar gravetos" (1945~1947) © Voula Papaioannou

Já após a libertação, e no papel de membro da unidade fotográfica da UNRRA (Administração de Assistência e Reabilitação das Nações Unidas), visitou o interior de uma Grécia devastada, onde registou as difíceis condições de vida enfrentadas pelos seus compatriotas. Apesar deste registo de pobreza e devastação, o trabalho de Voula Papaioannou, imortalizou rostos e histórias das pessoas comuns em fotografias que, contudo, exaltavam mais a dignidade do que o sofrimento subjacente àquela condição.

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Espelho no recreio, Krioneri (1946) © Voula Papaioannou
Desalojados da Guerra Civil em alojamentos temporários, Epirus (1947) © Voula Papaioannou
Desalojados da Guerra Civil em alojamentos temporários, Epirus (1947) © Voula Papaioannou
Mãe e filho, desalojados da Guerra Civil em alojamentos temporários, Epirus (1947) © Voula Papaioannou
Criança na ilha de Mykonos (ca. 1950) Desalojados da Guerra Civil em alojamentos temporários, Epirus (1947) © Voula Papaioannou
Várias imagens que ilustram as condições de vida de tantos gregos durante a Segunda Grande Guerra

O seu trabalho fotográfico na década de 1940 a 1950, é um documentário social marcante. Após a guerra, ainda durante a década de 1950, o trabalho de Papaioannou expressou o optimismo que prevaleceu no pós-guerra, um pouco por toda a Europa. No entanto, as suas fotografias da histórica paisagem grega não são, de modo algum, romantizadas. Retratam-na sim, como dura, árida, inundada de luz e pobreza, e seus habitantes como seres orgulhosos e independentes, apesar de toda as dificuldades que teimavam em os assombrar.

Retrato de uma rapariga (1950) © Voula Papaioannou
Pescadores reunem as redes, Mykonos (1950) © Voula Papaioannou
Pescadores reunem as redes, Egina (1950) © Voula Papaioannou
Tessalónica (1950~1955) © Voula Papaioannou

O trabalho de Papaioannou apresenta um forte pendor para a “fotografia humanitária”, corrente que abundou na Europa por altura da década de 1940, altura em que a Segunda Grande Guerra foi o principal catalizador de tal abordagem, sobretudo por força do abuso de direitos humanos ocorridos durante a guerra. A sua câmera registou a árdua luta dos seus compatriotas pela sobrevivência, mas com o respeito, clareza e grau de envolvimento pessoal que transcende as fronteiras da Grécia e reforça, intemporalmente, a fé na força do homem comum e no valor intrínseco da vida humana.

O seu arquivo foi doado no museu Benaki (Atenas) em 1976.

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