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Wilson Bentley – Quando “ser um floco de neve” é um brutal elogio!

Wilson Bentley – Quando “ser um floco de neve” é um brutal elogio!

Wilson Alwyn Bentley criou mais de 5000 fotografias de flocos de neve, ou mais correctamente, cristais de neve. O seu trabalho foi tão extraordinário que, durante quase um século, ninguém viu grande necessidade de repetir tão extraordinária tarefa.

Em 1885, com vinte anos, este agricultor que viveria toda a sua vida na pequena cidade de Jericho, em Vermont, EUA, ofereceu ao mundo a sua primeira fotografia de um floco de neve. Num tempo em que as redes sociais ainda não criavam celebridades, Bentley, que raramente saia de Jericho, foi ainda assim conhecido e reconhecido por largos milhares de americanos que lhe chamavam Snowflake Man ou, simplesmente, Snowflake Bentley.

Bentley ofereceu-nos também a ideia de que não existem dois cristais de neve iguais. “Todo o cristal era uma obra-prima do design que ninguém, nunca, viu ser repetido. Quando um floco de neve derrete, esse design fica perdido para sempre. ” (Bentley, 1925)

Se é certo que a primeira imagem fotográfica de Bentley foi conseguida a 15 de janeiro de 1885, igualmente correcto é afirmar que tudo começou alguns anos antes com um presente oferecido pela sua mãe e que marcaria indelevelmente a sua vida futura. Aos 15 anos Bentley recebeu um microscópio que permitiu que este amante do inverno iniciasse a sua procura de flocos de neve para observar no seu “brinquedo”. Claro está que tal actividade tinha tanto de fascinante quanto de frustrante. O teor efémero de um floco ou cristal, era a garantia de um prazer a prazo e por essa mesma razão, Wilson Bentley criou centenas de desenhos e esboços que lhe permitissem “eternizar” cada uma das suas observações.

A grande mudança de rumo surgiu quando o pai de Wilson Bentley lhe comprou uma câmera. Wilson combinou o presente do seu pai com o da sua mãe e fez a sua primeira microfotografia bem-sucedida. Foi há mais de 135 anos! Bentley agarrou nas suas mãos, não apenas a tarefa de desenvolvimento do equipamento de registo, como também a criação de um fluxo de trabalho que lhe permitisse capturar, transportar e registar fotograficamente o cristal. Uma bandeja fria revestida a veludo, muito empenho e espírito de descoberta, foram as ferramentas que se mostraram adequadas e suficientes.

Com 70 a 75 fotografias por tempestade e notas sobre as condições em que foram criadas, Bentley adquiriu e registou um considerável entendimento da neve. Em 1897, conheceu o Prof. George Perkins, geólogo da Universidade de Vermont. Juntos prepararam o primeiro artigo sobre cristais de neve alguma vez publicado. Foi visto pela primeira vez na edição de maio de 1898 da Appleton’s Popular Science, com o título “A Study of Snow Crystals” (neste link, da pág. 75 à 82).

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No início de dezembro de 1931, Wilson Bentley, caminhou 10 quilómetros, mal vestido, através de uma tempestade de neve e lama para chegar a casa. Pouco tempo depois adoeceu e uma pneumonia acabou por colocar um fim à grande aventura do agricultor de Vermont. Bentley morreu a 23 de dezembro, aos 66 anos. Em março daquele ano, fez a última das suas microfotografias de neve, ainda com a mesma câmera com que criou a primeira e que recebeu das mãos do seu pai.

Embora o seu pai considerasse a fotografia de cristais de neve um assunto sem qualquer valor prático e, logicamente, algo que não deveria fazer parte da agenda de um agricultor, Wilson tornou-se num pioneiro da meteorologia moderna, bem como na fotografia microscópica. O seu biógrafo, o meteorologista Duncan Blanchard (1924-2016), apelidou Bentley de “o primeiro físico das nuvens da América”, pelo trabalho que o agricultor e fotógrafo desenvolveu na área da análise da chuva e dos fenómenos meteorológicos que, infelizmente, foram desconsiderados pela comunidade científica durante muito tempo.

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