Júlio Assis Ribeiro

O autor desta coisa nasceu abaixo da linha do Equador, nos últimos anos dessa ficção pouco científica que foi o Império Português. Depois, com quatro anos e qualquer coisa, viu-se nesta estranha terra europeia. Por algum tempo sentiu, através dos pais, uma sensação de deslocamento. Curou-a com livros do Patinhas e do Astérix, documentários da televisão e caçadas ao pássaro. Sofreu do desejo de fazer banda desenhada. Não tinha talento, mas consumiu e copiou tudo que viu.

Foi cursar artes para Faro, nesse tempo sem Internet e em que as bibliotecas tinham todas os mesmos cinco livros de arte. O livro do Janson , da Gulbenkian, tinha um capítulo sobre Fotografia. O pai duma amiga tinha uma Yashica . Fotografaram com ela, mas esta tinha de regressar sempre à casa da amiga. Comprou, com o que ganhou nesse verão, uma Praktica. Ainda a tem.

Conseguiu iludir os professores o suficiente para entrar nas Belas-Artes. Continuou a não ter talento, mas aproveitou imenso. Acabou o curso. Deu aulas. Trabalhou em design. Casou. Tem dois filhos. Continua a ensinar o pouco que sabe. Gosta disso. Gosta de histórias. E gosta de escrever estes disparates.

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