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Famosos na Fotografia ed.3 – Winston Churchill

Famosos na Fotografia ed.3 – Winston Churchill

Famosos na Fotografia é uma pequeníssima rubrica do EFE em que vamos relembrando o quanto gostamos das fotografias dos famosos. O que, mesmo com tanta admiração, é menos do que os famosos gostam das fotografias de si próprios.

Muito fez a Fotografia pela popularidade e, sobretudo, pela imortalização de figuras que em muitos casos são efectivamente marcos importantes na história da humanidade. Mesmo hoje, em que a maioria das celebridades parece ter adoptado o vídeo como forma preferencial de se auto-promover, a imagem fotográfica não está nem esquecida nem minimizada no seu valor, e o futuro, ou o tempo, assim o provarão.

A “Famosos na Fotografia” não tem autor fixo – como acontece com a maioria das nossas rubricas – e a periodicidade é, como de costume, algo com que nunca nos comprometemos. Vão passando!

Winston Churchill, por Yousuf Karsh

Fotografia de Winston Churchill por Yousuf Karsh
Winston Churchill (1941) por Yousuf Karsh

A 30 de dezembro de 1941, três semanas após o ataque nipónico a Pearl Harbor que forçou os Estados Unidos da América a entrarem na guerra, Winston Churchill visitou o Parlamento canadiano em Ottawa para agradecer ao Canadá e aos Aliados a ajuda prestada à Grã Bretanha, mas também para assegurar que a luz britânica continuaria a brilhar, não obstante a escuridão ter já nessa altura invadido a Polónia, a França, a Áustria, a Checoslováquia e uma grande parte da Europa ter sucumbido perante os avanços nazis. Naquela ilha, que há apenas alguns dias se retirou oficialmente na União Europeia (Brexit), eram os pilotos, os soldados e marinheiros de sua majestade, junto com os da Commonwealth, que mantinham à distância a escuridão nazi.

Churchill na comunicação ao Parlamento canadiano a 30 de dezembro de 1941. (autor desconhecido)

Também nesse dia, no parlamento canadiano, estava Yousuf Karsh, o fotógrafo arménio-canadiano, também ele um sobrevivente, nascido 33 anos antes em Mardin (Império Otomano, hoje Turquia). Karsh cresceu durante o Genocídio Arménio, um outro período negro da história da humanidade que terá afectado cerca de um milhão e meio de pessoas. Em 1922, Karsh, com 14 anos, integrou uma caravana curda que procurou abrigo num campo de refugiados em Allepo, na Síria. No final de 1923, a família conseguiu enviá-lo para o Canáda (Sherbrooke, Quebec) onde viveu e cresceu com o seu tio materno, um retratista que podemos considerar o responsável por introduzir Yousuf Karsh à fotografia. Karsh recebeu do seu tio uma Box Brownie, assim como o treino inicial na Fotografia. Numa fase posterior (1928~1931) Karsh foi aluno de John H. Garo em Boston.

Ora, naquele dia em que Churchill visitou o Canadá em missão ao serviço da coroa britânica – e talvez da liberdade – Yousuf Karsh tinha também recebido uma missão: a de fotografar Churchill, a ilustração viva do espírito British Bulldog criado ainda antes da 1ª guerra, mas eternizado pelo primeiro ministro britânico.

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Quando Churchill acabou a sua comunicação e viu o fotógrafo exigiu saber porque é que ninguém o tinha avisado de que iria ser fotografado? “Por que não me disseram?” perguntou Churchill enquanto acendia um charuto com ar aborrecido. Bufou uma vez e disse a Yousuf: “Pode tirar uma fotografia!”. Enquanto Karsh se preparava, Churchill recusou-se a largar o charuto, mas assim que fotógrafo se certificou de que tudo estava preparado, dirigiu-se ao primeiro-ministro e disse: “Perdoe-me, senhor” e arrancou o charuto da boca de Churchill. “Quando voltei para a minha câmera, ele parecia tão enraivecido que me poderia ter devorado. Foi nesse instante que tirei a fotografia”. Sendo o diplomata que era, Churchill sorriu e disse: “Pode tirar outra!” e apertou a mão de Karsh, dizendo-lhe: “Você até podia fazer um leão a rugir ficar parado para ser fotografado”.

O resultado dessa capacidade de “domesticação” exibida por Karsh é hoje uma das imagens mais amplamente reproduzidas na história e um claríssimo ponto de viragem na arte do retrato político. Foi esta imagem de Karsh criada com o feroz Churchill que deu aos fotógrafos modernos a “permissão” para fazer retratos honestos, até críticos, dos nossos líderes.

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