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Autor não identificado, Jesuítas prisioneiros, Lisboa, Portugal, 1910

Nas primeiras décadas do século XX, Portugal viveu um período de grande instabilidade política, social e militar. Um período que, por vezes, é descrito como uma semi-guerra civil  de baixa intensidade.
Não tendo atingido nunca a ferocidade do conflito que atingiu e destruiu a vizinha Espanha, a verdade é que desde as várias confrontações que antecederam a implantação da República,  aos posteriores conflitos internos republicanos e à confrontação com reacção monárquica, à instauração da Ditadura Militar e do subsequente Estado Novo e , por fim,  ao rol das revoltas militares e populares do “Reviralho”, os primeiros quarenta anos desse século forneceram eventos violentos de que existe significativo registo fotográfico. Nomes como Joshua Benoliel ou António Novais, por exemplo, deixaram-nos imagens espantosas, a maioria mais centradas nos indícios da violências, do que no registo directo dos confrontos.
Uma das “tipologias” mais comuns desse retrato dum Portugal conturbado é o das levas de prisioneiros.

Nem sempre estas registam os militares das facções derrotadas nas várias revoltas.

Um dos primeiros alvos da jovem república portuguesa foi o clero. E dentro deste, os jesuítas foram definidos como prioritários. Tidos como centrais na resistência à modernização e ao republicanismo, os membros da infame “seita negra” foram, logo a oito de Outubro de 1910, abordados por legislação que reintroduzia a lei pombalina de 1759, dando os jesuítas por desnaturalizados e proscritos e expulsando-os do país. Antes mesmo, a seis e a sete de Outubro, alegadamente por ataques a tiro a forças republicanas, diversas instalações religiosas foram local de confrontos armados e de invasão por militares e populares.

Da rendição, prisão e encaminhamento do jesuítas foram feitas algumas fotografias, uma delas a famosa imagem da medição antropométrica dum padre jesuíta, de Joshua Benoliel, publicada na “Ilustração Portuguesa” de  7 de Novembro de 1910, processo no qual se procurava provar “cientificamente” as marcas da degenerescência dos religiosos.

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Uma outra imagem é-nos acessível a partir duma localização inesperada. A partir dos arquivos do Bain News Service,  uma das primeiras agências noticiosas, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos  disponibiliza-nos uma fotografia, de autor não identificado, que regista precisamente o transporte de prisioneiros jesuítas com escolta armada pelas ruas de Lisboa.

Autor não identificado, Jesuítas prisioneiros, Lisboa, Portugal, 1910

Texto e selecção de imagem: Não me mexam nos JPEGs / Júlio Assis Ribeiro

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