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Berenice Abbott, Montagem de um computador IBM (EUA, c. 1958)

Berenice Abbott, Montagem de um computador IBM (EUA, c. 1958)

Fotografia de Berenice Abbott, Montagem de um computador IBM (EUA, c. 1958)
Fotografia de Berenice Abbott, Montagem de um computador IBM (EUA, c. 1958)
Berenice Abbott, Montagem de um computador IBM (EUA, c. 1958)

Há muito que se sabe do papel transformador que o tempo tem na fruição duma obra de arte. Marguerite Yourcenar, notável escritora, dedicou aliás um belíssimo livro ao tema. E se essa realidade é aplicável aos textos dramáticos, à pintura e à escultura, é-o talvez ainda mais à fotografia.

Há na fotografia, sobretudo naquela que se pretende constituir como documento, um discurso implícito sobre o tempo. A fotografia “congela” um instante, extraindo-o do devir temporal. Mas esse isolamento criada pelo fotógrafo, não é controlado por ele. Os materiais “degradam-se”, os contrastes atenuam-se, os brancos amarelecem. Mais ainda, o tempo acaba quase sempre por criar um horizonte de estranheza, para lá do qual se situa a imagem.

A legenda, o título, são um último recurso, a linha que tenta puxar para nós o instante definitivamente alienado, condenado a essa desafiante e encantadora estranheza.

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Texto e selecção de imagem: Não me mexam nos JPEGs / Júlio Assis Ribeiro

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