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Joshua Benoliel, Crianças presas nos calabouços do Governo Civil de Lisboa, Portugal, 1900-1920

Joshua Benoliel, Crianças presas nos calabouços do Governo Civil de Lisboa, Portugal, 1900-1920

Com alguma frequência,  lêem-se referências que nos lembram que a Adolescência é uma invenção recente, uma coisa do século vinte.
A norma era antes, e em algumas culturas ainda é, haver uma transição abrupta entre a Infância e a Idade Adulta. Ou um limbo vago e curto, em que há a assunção de responsabilidades e de deveres, nomeadamente laborais, sem os direitos dum pleno estatuto de adulto.

Mas, paralelamente, e se olharmos um pouco para realidades às vezes assim não tão distantes, podemos verificar que o próprio conceito de Infância era bastante diverso do actual.
Os direitos à educação e à protecção, mesmo que por vezes figurassem na lei, não eram particularmente aplicados. O trabalho infantil era uma realidade esmagadora, e adágios como “o trabalho do menino é pouco, quem não o aproveita é louco” corriam pela sociedade portuguesa com perfeita naturalidade.

Mesmo os direitos civis das crianças eram um conceito de aplicação muito limitada. No início do século passado, num país com bem mais de sessenta por cento de analfabetismo, e com bandos de crianças na cidade de Lisboa sem ocupação fixa, ou vivendo de fretes ocasionais e esporádicos furtos, não era incomum a sua detenção pelas autoridades, e a sua custódia nas mesmas instalações dos detidos adultos.

Joshua Benoliel, fundador do fotojornalismo português e detentor de um olhar excepcionalmente perspicaz, deixou-nos o registo dum momento que, para a maioria dos seus contemporâneos são seria de particular estranheza ou indignação. É dele este retrato duma normalidade que hoje nos parece tão anormal.

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Joshua Benoliel, Crianças presas nos calabouços do Governo Civil de Lisboa, Portugal, 1900-1920 [ Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa ]

Texto e selecção de imagem: Não me mexam nos JPEGs / Júlio Assis Ribeiro

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