A Ler
Machiel Botman, Morcego, 2009

Há, por vezes, perguntas, que sendo de pertinência inquestionável, são de resposta muito difícil, quase impossível.
À questão ” O que é uma boa fotografia?”, com a qual quem ensina fotografia é incessantemente confrontado, muitos têm tentado acercar-se da resposta certa.

Uma primeira tentação é procurar a resposta pela via técnica. Dissecar imagens pela composição, pela exposição correcta, pela nitidez, pelo uso da profundidade de campo.
Mas é uma aproximação primária, de primeiro contacto. A fotografia insere-se no campo da linguagem. Tal como para escrever, é preciso saber a ortografia,a gramática e a sintaxe. Mas um texto sem erros não é necessariamente um grande texto. É somente um texto sem erros.
A poética vive muitas vezes de forçar os limites das regras, de tornar o erro um exercício significante.

Defronte de uma boa, de uma grande imagem, sabemos muitas vezes que ela está além de uma prática correcta. A forma como nos afecta ultrapassa as regras. Pode ser uma imagem tecnicamente certa, mas não é exactamente isso que a separa das demais imagens correctas e medíocres.
E, muito mais difícil de explicar, uma boa fotografia pode ser simplesmente uma imagem brilhantemente “incorrecta”.

Ver Também
Joshua Benoliel, Sinais feitos com sangue pela população numa parede por ocasião das eleições, Lisboa, Portugal 1908

Machiel Botman, Morcego, 2009

Texto e selecção de imagem: Não me mexam nos JPEGs / Júlio Assis Ribeiro

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