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Wilfred Patrick Thesiger, Dunas do deserto de Rub’ al Khali (Arábia Saudita, 1948)

Wilfred Patrick Thesiger, Dunas do deserto de Rub’ al Khali (Arábia Saudita, 1948)

Wilfred Patrick Thesiger, Dunas do deserto de Rub’ al Khali (Arábia Saudita, 1948)

Wilfred Thesiger foi praticamente toda a vida uma criatura de outros tempos. Nascido em 1910, em Adis Abeba, Etiópia, filho dum dignitário britânico e membro da nobreza, tornou-se um filho do império invulgar. Abominava o conforto, a facilidade e a velocidade, sentia-se deslocado nos seus estudos na Inglaterra. Insatisfeito, buscou a aventura e África.

Wilfred Patrick Thesiger, Dunas do deserto de Rub’ al Khali (Arábia Saudita, 1948)

 

Encontrou, através do Sudão, onde circulou antes e durante a segunda guerra mundial, e dum trabalho de acaso para as Nações Unidas, a Arábia. Visitaria outras geografias, voltaria a África, experimentaria a Ásia Central, mas a sua vida ficaria ligada às suas viagens e longas estadias numa Península Arábica tão diversa, tão longe dos lugares-comuns, que hoje pode parecer inventada.

Quando deixou de viajar, começou a escrever. Escreveu “Arabian Sands” e “The Marsh Arabs”, obras notáveis da chamada literatura de viagem. E através da sua escrita apareceu acessória uma outra faceta da sua obra, consubstanciada em milhares de fotografias, num acervo cuja qualidade sobreviveria facilmente à ausência de palavras. Pensadas como notação, como suporte documental, as suas imagens evoluiriam rapidamente dum início técnica e esteticamente limitado para um sublime registo das gentes e dos espaços que o apaixonavam.

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E lembremo-nos, falando dum homem que desaprovava coisas mais recentes que o comboio a vapor, naquele mundo que sabia estar a desaparecer, que a fotografia era uma invenção de outra era.

Texto e selecção de imagem: Não me mexam nos JPEGs / Júlio Assis Ribeiro

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