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Jato de tinta de carbono – parte 3

Jato de tinta de carbono – parte 3

Essa é a terceira e última parte dessa pequena série sobre utilizar tinta a base de carbono em uma impressora inkjet. Nessa última etapa vou falar um pouco do fluxo de trabalho e das escolhas de papéis, tons e imagens que podem ser complementadas pela tinta de carbono.

Fluxo de Trabalho

Fazer cópias de carbono é um pouco mais complicado que uma impressão normal, mas é bem pouquinho. Ajuda ter uma pequena listinha num pedaço de papel ao lado do computador, principalmente se for como eu e só fizer as cópias de vez em quando.

Abra o seu arquivo de imagem e faça todas as modificações que achar convenientes. Quando o arquivo estiver pronto converta para tons de cinza. Costumo gravar uma cópia específica para a impressão, logo duplico aquele arquivo original com os tratamentos e adiciono o tamanho da cópia pretendida ao seu nome, caso eu faça alguma mudança para aquele tamanho de cópia (unsharp mask etc). A conversão para grayscale é simples, mas o Photoshop precisa estar configurado para trabalhar com o perfil Gamma 2.2 para arquivos em tons de cinza. Caso o arquivo já esteja em tons de cinza, confirme que esse é o perfil utilizado.

Entre no diálogo de impressão do Photoshop e escolha a impressora virtual criada pelo QTR (costuma ser o mesmo nome da impressão com a adição da palavra QUAD). A partir dali configure tamanho, bordas, etc. Selecione a opção para o Photoshop fazer o gerenciamento de cor, escolha o perfil do QTR de acordo com o acabamento do seu papel (glossy ou matte). Clique em OK e você é jogado para o diálogo de impressão do sistema. Acesse ai as opções do Quad Tone Rip, escolha a curva que você criou estabelecendo os limites de tinta para o seu papel. Escolha a mesma opção de DPI, de movimento da cabeça de impressão (uni ou bi-direcional). Caso necessário, vasculhe as notas que você criou dentro do arquivo da curva, como lembretes dessas opções. Já está, basta imprimir agora.

 

Papel para cópias de carbono

Meu papel preferido para essa tinta de carbono é o Hahnemuhle Photo Matt Fibre Duo 210gsm. É um papel que se pode imprimir em ambos os lados (útil em postais, por exemplo) e que alcança um preto bem escuro comparado a outros papéis matte. Outro papel que me agrada muito é o Canson Infinity PrintmaKing Rag 310 gsm Matte, é uma opção puro algodão um tanto mais caro que o Matt Fibre, mas casa muito bem com o carbono.

Inksets simples como o meu, só permitem imprimir em papéis matte. Para usar papéis com algum brilho existem inksets mais complicados, mas que também podem ser feitos em casa.

O poder de cobertura do carbono obtido na MIS ou na STS é muito grande, há que se ter cuidado ao criar os limites para não permitir muita tinta no papel. Por exemplo, na minha Epson 1400, o limite default é 30% para todas as tintas com esse papel Matt Fibre. Ou seja, impressora poderia colocar muito mais tinta sobre o papel, mas isso não deixaria a cópia mais escura. Já com papel comum para impressão ou fotocópia consegui determinar que o limite é de 25%, ainda menos tinta que o Matt Fibre, mas a imagem não fica preta (o papel não tem nenhuma encolagem), no entanto adicionar tinta não escurece mais a imagem.

Permitir mais tinta que o necessário também causa problemas de baixas luzes com pouca separação e detalhes. Por outro lado é importante observar as altas luzes do arquivo e ter certeza de que elas estão ali entre os 0% e 5% de tinta, para que fiquem com o branco do papel.

Comparação do tom da tinta inkjet carbono com duas referências de escala de cinza.

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Como a foto acima mostra, esse papel tem um tom ligeiramente quente, que combina com o tom quente da tinta carbono. As duas referências de cinza ajudam também a dar uma noção de quão quente é o preto do carbono. Para efeito de comparação, aqui o arquivo original, apenas em tons de cinza. A cópia ainda tem os detalhes do piso escuro e dos prédios distantes ao fundo.

 

Um portfoliozinho 13x18cm

Logo que eu terminei de converter a Epson 1400 fiz uns postais e umas cópias pequenas. Devo confessar que o formato 5×7″ é meu predileto ultimamente. Resolvi então fazer um pequeno portfolio com algumas das imagens mais áridas dos últimos anos no Brasil. Imaginei um lugar abandonado e desprovido de pessoas. Altas luzes delicadas e pretos pungentes se misturam bem com esse assunto e essas são as características que me atraem nesse processo de impressão.

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